Não se pode negar. O aparelho da Apple chegou como novidade notável. Pequeno para computador de bolso, porém grande para um celular, é capaz de convergir funções de câmera digital, internet (com boa navegação), telefone e iPod, e ainda por cima com uma revolucionária interface gráfica acionada por leves toques dos dedos.
Os criadores do Macintosh capricharam na nova invenção, nas mãos já de milhões de pessoas em todo o mundo, e que agora ganhou a versão 3G. Bem mais veloz na transmissão de dados, ela traz como vantagem sobre a anterior, por exemplo, a possibilidade de falar e navegar na rede ao mesmo tempo, além da qualidade superior de áudio.
Uma pesquisa realizada este ano nos Estados Unidos aponta que 28% dos usuários de iPhone substituem as funções de um notebook pelas do celular, devido a sua praticidade. Também foi apontado que mais de 75% destes usuários utilizam a internet móvel com mais frequência do que utilizavam em seus antigos celulares, mas 24% dizem que o navegador não é compatÃvel com todos os sites.
Seria esse aparelhinho, de preço um pouco salgado, ainda que mais barato que os computadores convencionais, um passo gigante em direção à inclusão digital de milhões de pessoas?
Há quem ache que sim. Porém, estamos só no começo da internet móvel. A Apple pode ter dado a partida criando um produto inovador, mas já há concorrentes quase à altura e outros prometendo “arrasar quarteirões”, como o Google Phone - que, segundo dizem, pode ser para o iPhone o que o Windows foi para o Macintosh (este continua com seus fãs incondicionais, mas ocupa uma fatia pequena do mercado).
Enquanto a Apple faz grandes restrições à instalação de outros softwares no iPhone, limitando o universo de opções para seus usuários, “smartphones” de outras marcas buscam oferecer um número ilimitado de aplicativos desenvolvidos por programadores criativos dos quatro cantos do planeta.
O Google, por exemplo, para voltar a citar um concorrente de peso da Apple, está investindo milhões em programas como o da rede social (tipo Orkut) incrementada com um GPS, que indica, em um mapa, onde estão os amigos do usuário. O iPhone não tem nada parecido, além de, por causa da polÃtica da sua marca, não comportar softwares populares como o MSN e o Skype.
Assim como aconteceu com a chegada das tecnologias GSM e 3G, o iPhone pode virar febre entre os apaixonados por gadgets e inovações tecnológicas, atrair investimentos para o mobile marketing e tornar real o conceito de convergência de mÃdias.
Mas a pergunta que deixamos no ar é: seria esse o verdadeiro caminho para a aceleração da base de usuários da internet móvel? Ou um aparelho, por mais genial que seja, porém fechado a programas de outras procedências, não limitaria a liberdade de escolha do consumidor?
 Alberto Leite, CEO da SupportComm